"Em quase tudo ela é uma mulher comum: Aproveita as promoções, põe o lixo para fora e tem dias que não sai porque se acha um trapo.Porém em tudo que faz exala um frescor de liberdade. E também dá arrepios: fico com a impressão que vi uma loba na espreita.Fico assustada, olho de novo... e quem está ali é uma mulher doce e simpática, ajeitando o cabelo, quase uma menininha, com um sorriso de Deusa.Mas por um segundo vi a loba, vi sim. É a mulher selvagem.A sociedade tenta mas não pode domesticá-la, ela esquiva-se às regras.Quando penso que a capturei, ela foge feito água entre os dedos.Quando penso que finalmente a conheço, ela surpreende outra vez.Tem a alma livre e só se submete quando quer.Por isso escolhe seus parceiros entre os que partilham a liberdade. E como os reconhece? Como toda loba, pelo cheiro, por isso é bom não abusar de perfumes. (eheheh)Seu movimento tem graça, o olhar destila uma sensualidade natural, mas … cuidado, não posso passar-lhe a mão. Ela é um bicho, gosta de afago mas também arranha.É o espírito selvagem que sopra em sua alma a refrescante sensação de estar unida à Terra.É daí que vem sua beleza e força.E sua sabedoria instintiva.Sim, ela é sábia pois está em harmonia com os ritmos da Natureza.Por isso conhece-se a si mesma, sabe dos seus ciclos de crescimento e não sabota a própria felicidade.Como todo bicho ela respeita seu corpo mas nem sempre resiste às guloseimas. (Chocolate meio-amargo é o seu pecado...)E adora dançar em noite de lua. Ah, então é uma bruxa...Talvez, (eu disse talvez) ela não liga para rótulos.Sabe que a imensidão do ser não cabe nas definições.Mulheres gostam de fazer mistério.Ela não! Ela É o MISTÉRIO.Por uma razão simples: a mulher selvagem sabe que a vida é uma coisa assombrosa e perfeita, e viver o mais sagrado dos rituais. Ela sente as estações... e movimenta-se de acordo com os ventos, rindo da chuva e chorando com os rios que morrem.Coleciona pedrinhas, fala com plantas e de uma hora para outra "quer ficar só".Não, ela não é uma esotérica deslumbrada mas vive se deslumbrando.Ela apaixona-se, sonha acordada e tem insônias por amor.As injustiças do mundo angustiam-na mas ela respira fundo e renova sua fé na humanidade. Luta todos os dias pelos seus sonhos, adormece no meio de perguntas sem resposta e desperta com o sussurro das manhãs no seu ouvido, mais um dia perfeito para celebrar o imenso mistério de estar vivo.Ela equilibra em si a cultura e natureza, movendo-se bela e poética entre os dois extremos da humana condição.Ela é rara, sim, mas não é uma aberração, um desvio evolutivo. Pelo contrário: ela é a mais arquetípica e genuína expressão da feminilidade, a eterna celebração do sagrado feminino.Felizmente algumas lembraram-se.Ela não é invencível, sim ela também chora, mas lambe suas feridas e encontra o caminho de volta à sua própria natureza.Isto é uma homenagem a ela, à mulher selvagem, à menina que fascina os homens que não têm medo de encará-la. Por isso é que às vezes os lobos fogem. Mas é normal.Depois eles voltam, aproximam-se desconfiados, trocam os cheiros e aí...Bem, aí a Natureza sabe o que faz. Espero que a Natureza seja complacente."
-Bem, já faz alguns anos desde que recebi esse texto por e-mail, enviado pela minha melhor amiga, e sempre que eu volto pra ler, me sinto abraçada. É por isso que continuo voltando.
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