As noites são sempre mais difíceis de suportar... Quando o sol se vai, eu sei que estou no meu lugar. Sozinha eu já nem sei quem posso ser...
Vento vem, calor se vai. Eu prometi que isso não voltaria. Aqui estou eu, para provar que tudo não passou de um engano fatal...
Não me resta muito tempo, mas, já não me resta tanta calma, já não tenho viva a alma. Sozinha, eu já nem sei o que eu sou... pra você.
E quantas noites como essa já se foram, e voltaram, e passaram. Tudo se repete e eu me consumo aqui perdida entre minhas lagrimas e o gosto da tua saliva... Volta, me faz sentir viva outra vez. Uma ultima vez, que seja, para morrer mais serena, enganada pelas tuas mãos na minha cintura, me guiando para o abismo sem final... Sozinha, eu já não acredito em qualquer um.
Hey! Não vá ainda! Não deixe aqui sua menina, que por tanto tempo se machucou, pulando de casa em casa, se sentindo tão "sem lar". Sem ar, quando te vê, quando te tem, quando te deixa, cada vez mais, sem folego, entre os lençóis. Entre. Tome um café. Tome um tempo. Tome minha vida inteira para cuidar... De tudo o que eu não não sei evitar, você é aquilo que requer mais esforço. E eu me torço, pra negar, que nada disso pode ser bom. Mas é tão bom... Ah, se é!
A Lua traz de volta a minha essência, eu me visto loba pra te devorar... Há muito tempo sinto fome e ninguém mais cabe aqui... E esse vazio me consome enquanto vejo você feliz, correndo pelos campos, e eu aqui morrendo em prantos, sem poder ao menos te seguir.
Ah, mas se a vida me desse um segundo... Apenas um... Para ter você aqui, comigo, plenamente, independente de quem quer que esteja do lado de fora, ah, seria a hora em que eu te beijaria sem fim. Seguraria aqui, bem pertinho do meu peito, meu coração, saltaria num instante, tudo isso antes, de você novamente desaparecer... Me deixando sem chão, sem saber, sem ser. Ah... Nesse segundo, se eu te como, te guardo para sempre em minhas entranhas onde ninguém mais vai poder te arrancar... E você vai ser, pra sempre, uma parte de mim.
Mas volta... Eu já não sei estar, sem você por perto. Nada disso parece certo quando penso em pra onde ir. Fugir, do teu sorriso, do teu cheiro, da tua voz, parece tão sensato, quando bater a cabeça na parede, até ela explodir. Eu vou explodir. Preciso de mais tempo... Respirar você. Amar você. Isso sempre me fez tão bem. Volta, e diz que sou tudo o que você deseja, que sua alma se queixa de não me ter por perto, eu sinto, que você quer mais um pouco, aproveita e me toma inteira, para que nunca falte nem mesmo uma gota de carinho.
Tendo isso em mente, eu corro na direção oposta à que estava indo, te chamando, uivando ao vento, para que a lua marque o local com sangue, e no sangue seja selado, esse acordo tão infiel, onde eu e você somos apenas animais sujos cedendo ao instinto...
Por favor...
...
Volta.
(SB.)
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