maio 25, 2015

-Animal

Como chegamos a isto? Eu me perdi no caminho da porta até a sua cama. Qual é o sentido de negar tudo isso? Até onde eu sou capaz de burlar os meus instintos?


Não consigo mentir... Não consigo segurar a fera dentro de mim.

Como eu cheguei aqui?

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Não foi difícil abrir a caixa, eu sei, mas o que você vai fazer com isso agora?
Não sou como as outras garotas... 
Eu vou sentir falta do calor do seu corpo e do gosto da sua boca, e eu estou me perguntando como vou fugir inteira disso tudo.

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Como resistir à tentação? Eu não sei simplesmente ignorar tudo isso...

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Onde você estava com a cabeça, garoto? Não sabe que se queimam os que brincam com fogo?

Mas veja, lá vou eu de novo me meter onde não devo. Ou será que devo?

E eu tentei dizer que não, mas meu instinto gritava que sim. Eu tentei te impedir, mas você me deixou sem fôlego...

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Como um animal selvagem, eu não consigo negar a minha natureza. E eu só preciso de outra noite me sentindo assim para me convencer de que esse é o caminho certo...

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Te desafio a negar tudo isso, dizer que não passou de uma surpresa... 

Quando estiver frio, eu posso te esquentar, até ficar difícil de respirar, mas onde nós vamos com tudo isso?

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Isso tudo esta me matando porque eu não consigo controlar a fera dentro de mim... E eu apenas não quero, então, esta noite eu vou apenas te ouvir dormir e rezar pra que você saia inteiro disso tudo...





maio 24, 2015

"Pra quem passou por uma cesárea"



Parece que nós mulheres estamos fadadas a culpa. Se o parto é rápido, se a mulher empodera-se, se tudo conspira a favor, o mérito é da mulher e de toda a equipe que prestou o atendimento ao seu sonhado parto natural.

Mas se mesmo com a equipe humanizada, com assistência de referência, a mulher não consegue parir, fica nas entrelinhas que a culpa é dela. Seja física, seja emocional, de alguma forma aquela mulher está fadada a ser a culpada pelo não-parto.

Eu acredito sim que a gente tem que lutar para conseguir um parto humanizado. Infelizmente o normal é coisa rara. O natural, tão raro quanto quem só come aquilo que nasce no seu quintal. Não podemos esquecer que somos um produto de nossa cultura.

Carregamos em nossas células histórias traumáticas de partos, somos orquestradas pela força da mídia, pelo peso do inconsciente coletivo que produz uma confiança cega na tecnologia e na medicina e nos faz duvidar de nossos corpos.

Não somos como os animais. Cada vida que cresce em nosso ventre é preciosa e a força da natureza torna-se menor que nosso desejo de querer aquela vida crescendo ao nosso lado. Por este desejo, existe o medo e também a possibilidade de usufruir da tecnologia quando a natureza falha.

E quando é este momento de saber que a natureza realmente falhou, que devemos deixar nos cortar na primavera para ver a vida florescer? Não existe resposta certa. Não existe verdade absoluta. Inevitavelmente vamos lidar com os limites da equipe que nos atendeu, nossos próprios limites. E quando esse limite chega é a hora certa.

Podemos investigar posteriormente, podemos em um próximo parto tentar entender as perguntas que gritam na calada da noite. Mas diante do acontecimento devemos acolher e deliciarmo-nos diante da cria viva e gorducha que mama nos nossos seios.

O limite do momento é único e não há especulação que seja capaz de trazer a luz. Apenas é. Não falo das cesáreas eletivas, não falo do médico bonzinho com altas taxas de cesárea, não falo do hospital que empurra bebês coroados para serem nascidos. Falo dos momentos em que houve realmente a viabilização plena de um parto natural que não acontece.

E mesmo os eventos acima são válidos. Quantas mulheres não fizeram de suas cicatrizes marcas de uma guerra que compraram para a vida? Seja ajudando outras mulheres, seja buscando um novo parto depois de 2 ou três cesáreas, toda experiência é valida.

Não podemos julgar o passado com os olhos do presente. O vivido serve de referência para que possamos buscar outros caminhos. Mas diante do acontecido recente, o fundamental é deixar de se debater no sentimento de incompetência, reverenciar toda a luta e agradecer pela vida que vive nos braços.

Não podemos transformar a humanização do nascimento em uma caça às cesáreas. A gente sabe que a grande maioria delas acontece por falha na assistência, despreparo dos profissionais ou comodidade médica.

É bem verdade que a grande maioria das cesáreas que a gente ouve falar aconteceram desnecessariamente. Mas existem casos em que a opção pela cirurgia é o caminho mais seguro, quando o risco da mesma se torna, para mãe e bebê, menor do que a espera o parto normal.

Geralmente essas cesáreas são intraparto, ou seja, a mulher passou por todas as etapas do trabalho de parto e por algum fator a cirurgia foi necessária.

Quando a cesárea é realizada em trabalho de parto ativo (com avanço da dilatação) significa que o bebê estava pronto para nascer. Todos os hormônios do trabalho de parto ajudam a mãe a ter um vínculo maior com a criança e facilita a amamentação, se comparada a uma cesárea eletiva (agendada por conveniência médica ou escolha da mulher).

Essas cesáreas intrapartos bem indicadas acontecem, em geral, quando a mulher optou por uma equipe humanizada. Uma mulher que sonhou, foi atrás da realização de um parto natural e por um fator que denomino imponderável, precisou transformar a coragem de um parto sem intervenções na coragem de se submeter a uma cirurgia: Permitir-se corta-se no inverno para florescer na primavera.

Sempre fica aquela sensação de nadar e morrer na praia. A vergonha por não ter conseguido. Mulheres que passam por essa experiência deveriam se orgulhar, deveriam saber que são muito corajosas por enfrentarem o oceano das contrações e entregarem-se para o destino de serem auxiliadas para terem a cria nos braços.

São aqueles 15% que preconiza a OMS. Não podemos demonizar a cesárea. Não é ela que combatemos e sim a má assistência que faz com que mulheres saudáveis e bebês imaturos sejam submetidos a um procedimento cirúrgico. E o que é mais triste é saber que muitas destas mulheres queriam um parto normal e foram enganadas por seus médicos.

Hoje meu texto é para aquelas mulheres que realmente criaram um ambiente propício para um parto, que foram além de si mesmas para vivenciarem esta experiência, mas que tiveram que se submeter a cirurgia.

A elas, que se lembrem um verso indiano que diz: quando se tira uma pequena parte da perfeição, o que se tem, ainda é perfeito. Que nunca se esqueçam que às vezes as coisas não são como sonhamos mas isso não retira a perfeição que nela cabe.

Vi no:  http://vilamamifera.com 

maio 04, 2015

Hoje não.

Só preciso sobreviver até as 4h da manhã, quando talvez eu me deixe vencer pelo cansaço. Deixo a música tocar bem alto até que eu já não me escute pensando em você. Talvez amanhã seja mais fácil te esquecer... Mas hoje não.

Mais um gole de whisky, ou mais um copo. Outra garrafa, outro cigarro, até que eu não me lembre mais do quanto machuca você não estar aqui... Eu sinto sua falta. Sinto mais do que nunca. Eu juro que isso vai passar... Mas hoje não.

Quem eu quero enganar? 
Com todas essas poses e gestos, 
caras e bocas, fingindo que isso 
já não me interessa, 
que isso não me machuca. 
Sei do que sinto sua falta.
Isso não vai passar... Hoje não.

Meu coração estava em suas mãos, mas você não pôde fazer nada, e aqui (não) estamos nós. Quem iria saber que o amor poderia ser tão cruel. Nada é igual. Nada nunca vai ser. Você disse que estaria aqui e eu, eu esperei por tanto tempo por alguém que jamais virá. Eu realmente achei que você estaria aqui... Mas hoje não.


É tudo minha culpa e nós sabemos disso. Eu me deixei enganar pela doce sensação de estar sendo retibuida por todo esse tempo, mas, no fim, eu sou só mais uma boba... E nós dois sabemos que tudo poderia ser diferente...

E eu te amaria pra sempre, mas...

Hoje não.